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Mais cafés de varrição nesta safra


Os “cafés de varrição” são caracterizados como a parcela da produção, na safra de café, constituída pelos frutos que caem ao chão, antes ou durante o período de colheita.
O recolhimento dessa parcela de frutos de café é feito manualmente, por rastelação e varrição, o que dá o nome ao produto. Os frutos podem, ainda, ser retirados do chão através de máquinas recolheitadeiras, atualmente disponíveis em vários modelos e marcas.
A colheita de café do chão é uma pratica restrita à cafeicultura brasileira, onde a colheita normal é processada por derriça, em uma única passada. Como a floração do cafeeiro é irregular, a maturação dos frutos também vai ocorrer em períodos distintos. Assim, aqueles que amadurem primeiro podem cair ainda maduros, mas, principalmente nos estágios de passas e secos, antes que o conjunto esteja em ponto de colheita.
Na maioria dos países produtores a colheita é feita em diversas passadas, de 12-16 vezes na safra, como ocorre na Colômbia, indo, gradativamente, retirando os frutos que vão amadurecendo. Outra parte da cafeicultura, a de robusta, em diversos países, e também aqui no Brasil, a de conillon, não necessita de varrição, pois os frutos dessa espécie/variedade praticamente não se desprendem da planta durante todo o período de maturação.
A quantidade de cafés de varrição varia conforme a região e a lavoura. Nas regiões mais quentes e úmidas no período de colheita, especialmente quando chove ou por ação de irrigação de aspersão, ocorre maior queda de frutos. Em regiões de inverno seco, com baixa umidade relativa no ar, os frutos amadurecem e, mesmo secos, permanecem, em sua maioria, presos às plantas, diminuindo os cafés de chão.
Na lavoura influi bastante os estágios de maturação em relação à época de colheita. Assim, variedades mais precoces tendem, se não colhidas mais cedo, dar origem a maiores quantidades de frutos no chão. Lavouras mal nutridas ou atacadas por cercosporiose, com seca de ponteiros também tendem a uma maior queda de frutos. Algumas variedades parecem reter mais frutos nas plantas, como ocorre com alguns Icatus e Acauã.
O diferencial na maturação dos frutos, devido a diversas floradas, é um fator que condiciona maior queda, pois, em determinada lavoura, é preciso esperar para colher quando a maioria dos frutos estiver no estágio cereja ou acima, com poucos verdes. Essa condição é influenciada, principalmente, pelo clima e pela variedade. Neste ano tivemos um grande numero de floradas, desde setembro até fevereiro. Sorte que algumas floradas finais foram abortadas por queda de chumbinhos. Mesmo assim, muitos frutos das primeiras floradas vem caindo no chão, com agravamento pelas chuvas tardias no ciclo. Deste modo, vai aumentar bastante a parcela de cafés de varrição.
Não se tem um levantamento que indique com precisão qual é a percentagem dos cafés que, numa safra, são colhidos do chão. Estima-se essa parcela como normal em cerca de 10-20%. Neste ano projeta-se uma queda maior.
A troca gradativa do tipo de colheita, de manual para mecanizada, tem contribuído para aumento nos cafés de varrição. Se por um lado o maquinário poderia favorecer por apressar e reduzir o período gasto na colheita, por outro tende a agravar, primeiro por que o produtor espera o adiantamento na maturação, vez que a máquina é mais eficiente na derriça de cafés maduros e, principalmente, naqueles frutos secos. Segundo por que a máquina deixa cair, no ato da derriça, cerca de 10% dos frutos por ela derriçados, os quais passam pelas aberturas da esteira recolhedora.
Mais café no chão significa, normalmente, mais café fermentado, de tipo e bebida inferiores. Ali, sob as plantas, são formados mais grãos pretos e ardidos. Por isso, especialmente nas regiões mais úmidas, quanto antes se proceder a varrição melhor será a qualidade dos cafés, ou, mais propriamente, menos ruim será essa qualidade.
A pesquisa realizada na FEX Varginha, onde se estudou a qualidade inicial o efeito de época de recolhimento do café de chão, mostrou que o café de pano apresentou somente 51 defeitos (tipo 5-10), contra 189 (tipo 7-10) no café de varrição. Verificou-se, ainda, que o levantamento imediato dos frutos resultou em somente 1% de PVA (preto, verde, ardido), enquanto que uma semana após esse valor subiu para 1,5%, sendo que em 2 semanas subiu para 4,5% e em 3 semanas para 14%.

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