Inf. Técnicas

Aqui você encontra dicas, reportagens e entrevistas sobre o mercado agropecuário. Para sugerir alguma publicação, entre em contato.


Mão de obra para as fazendas de café


Gosto mais de escrever sobre tecnologias cafeeiras, setor que estou mais familiarizado. Porem, tem sido muito freqüente, nas palestras técnicas, que faço nas diversas regiões cafeeiras, no seu final, os produtores nos questionarem sobre as dificuldades que encontram com a mão de obra para fazer aquilo que apresentamos. Eles ponderam que a questão da mão de obra nas fazendas de café vem se tornando um problema, um entrave na execução das atividades da lavoura cafeeira.
As maiores dificuldades estão relacionadas à pouca quantidade disponível, em certas regiões, principalmente para a colheita e à baixa qualidade da mão de obra, seu baixo rendimento, sua falta de motivação e comprometimento com os resultados. Algumas vezes ocorrem, também, irresponsabilidade e até desonestidade, que acabam levando o dono das fazendas ao desanimo, inibindo os investimentos necessários e provocando, no final, o abandono das lavouras.

Tem sido observada e comprovada pelos especialistas, a tendência de que os melhores trabalhadores estão procurando colocações em empregos nas cidades, ficando na roça os menos capazes. Programas de treinamento tem sido realizados, por vários órgãos. Eles ajudam mas não resolvem a questão crucial que é a motivação e a responsabilidade, que envolvem conceitos de cultura e de filosofia.
A questão das leis trabalhistas também é apontada como fator de retração do produtor na ampliação das atividades em sua propriedade. Esta legislação, que deveria ser adaptada às condições dos serviços agrícolas, resulta, na pratica, na concessão de muitos direitos e cobra poucos deveres aos trabalhadores. Alem de onerar os custos de produção, as exigências excessivas das leis prejudicam, ainda, pelo aspecto da grande burocracia atrelada ao processo de contratação, controle, atividades de campo sempre consideradas insalubres etc.

Quando se verifica o que ocorre na agricultura em paises como os Estados Unidos e também na Europa, logo se observa uma diferença muito importante. A mão de obra é predominante da família, ou o dono e familiares estão diretamente envolvidos na execução dos trabalhos, junto com os empregados. Aqui esta ação direta no trabalho tem sido a maior razão do sucesso da cafeicultura familiar, que se assemelha aquela lá de fora. A presença do produtor junto às atividades aumenta muito o seu rendimento operacional e reduz custos. É fato que, nos países citados, a melhor remuneração dos produtos e os estímulos possibilitam renda suficiente para o sistema funcionar bem.
Aqui, em nossa cafeicultura, os médios produtores tem padecido com a questão da mão de obra. Muitos moram nas cidades, sem poder acompanhar de perto as atividades nas lavouras. Eles tem necessidade de atuar também em outros negócios na cidade, em parte para poder sustentar suas propriedades e manter a educação de seus familiares, devido à baixa renda que auferem nas fazendas.

Os grandes produtores e também os médios, em regiões com facilidade de topografia, tem investido, com bons resultados, na máxima mecanização dos tratos nos cafezais, como forma de reduzir deficiências na mão de obra. Aqueles que não podem mecanizar tem de partir ou para sistemas menos exigentes em mão de obra, em áreas menores e mais produtivas, ou entender melhor da administração dos trabalhos, se possível trabalhar junto.

Voltar Imprimir

Como ser sócio?

Clique no botão ao lado e veja como é fácil tornar-se um sócio da Coocafé

Newsletter