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Bananeiras no Cafezal, o bem e o mal


A combinação de bananeiras no meio das lavouras de café sempre era tradicional na cafeicultura colombiana. Lá, se cultivava muita banana da terra, usada como alimento das famílias e, também, para exportação. Nos últimos tempos, com o adensamento das lavouras de café, o cultivo foi reduzido no meio dos cafezais, no entanto, persistindo como bananais solteiros.

Na cafeicultura brasileira, o cultivo de bananeiras no cafezal é praticado em algumas regiões, destacando-se a zona de montanha no Centro-Sul do Espírito Santo, na região serrana do Sul de Minas, no Jequitinhonha em MG e na Bahia.

Dois sistemas de cultivo são utilizados na combinação – o plantio em quadrado, em moitas, arborizando a lavoura, e o cultivo em “renques”, em fileiras, no meio das linhas de cafeeiros.

Na região serrana do Espírito Santo se utiliza mais o cultivo de banana da terra, seja na formação do cafezal, quando ainda existe um bom espaço livre na lavoura, seja quando ocorre a recepa ou a eliminação de uma linha de cafeeiros no sistema adensado. Esse tipo de cultivo tem agregado renda adequada, embora, como todo produto agrícola, existem altos e baixos, devido à variação dos preços da fruta. Nessas condições de regiões úmidas e frias, as bananeiras tendem a auxiliar no controle à Phoma, através da redução do vento e do aumento na temperatura noturna.

Nas demais regiões onde se combina bananeiras nos cafezais a variedade usada é a prata, quase sempre sobre a forma de renques quebra-ventos, temporários ou permanentes.

Como se sabe, a banana é uma fruta nutritiva e saudável e, pela variedade de tipos (prata, nanica, ouro, da terra, maça etc), atende a todos os gostos. Eu mesmo, na minha infância e juventude, e, até hoje, sou fã dessa fruta. Alguns amigos, que conhecem essa minha predileção, sempre me presenteiam com algumas pencas, ou, diante da minha vontade, mesmo cachos inteiros.

Mas, gostos à parte, é preciso discutir as vantagens e desvantagens da combinação e tentar de um lado aumentá-las e de outro reduzi-las.

As vantagens vêm da renda extra com a venda das bananas, especialmente no período de formação do cafezal, além de, como já referido, as bananeiras mudarem o micro-clima no meio do cafezal, reduzindo a temperatura diurna e aumentando a noturna, pelo sombreamento e pelo efeito guarda chuva. Com isso, pode-se obter reduções na ocorrência de doenças ligadas às temperaturas menores e à ação dos ventos, como a Phoma e a Mancha Aureolada. As bananas também ajudam na alimentação de pássaros e outros bichos.

As desvantagens das bananeiras estão ligadas à concorrência que oferecem aos cafeeiros, especialmente em água, sabendo-se que as bananeiras são exigentes nesse aspecto. Além disso, as bananeiras atrapalham a mecanização na lavoura e, até, desconfia-se que podem dificultar o controle de bicho mineiro, pois pupas e adultos dessa praga se abrigam nas plantas de banana. Também, o sombreamento, pelas bananeiras, favorece a ferrugem e a broca. E, quando na beira de cidades, atraem estranhos, que invadem a lavoura para furtar seus cachos.

Como combinar as bananeiras, de forma adequada, é uma pergunta que procuraremos responder em seguida, visando minorar a concorrência.

Primeiro, deve-se escolher variedades e espaçamentos apropriados das bananeiras. Nos plantios em quadrado usar espaçamentos mais largos, de 3,5-5m X 3,5-5m. Nos renques, coloca-los cada 12-15m, reduzindo-os, gradativamente, na medida em que a lavoura de café for sendo formada. Nas variedades usar as que entouceiram menos, como a nanicão, a da terra e a maça e, mesmo, a prata anã.

Segundo, proceder o manejo das touceiras, desbrotando-as, deixando apenas 3-4 bananeira por cova.

Terceiro, usar os renques de bananeiras, sempre que possível, nas bordas das lavouras e junto a carreadores, onde concorrem menos.

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