Coró das Pastagens "ataca" em cafezais

04/02/2010 - Fonte: Procafé On Line (www.fundacaoprocafe.com.br)

Recentemente verificou-se a ocorrência, em grande escala, do inseto conhecido como coró das pastagens, em lavoura de café na região da Serra do Cabral, no Norte de Minas.
No terreno da lavoura, no meio da rua do cafezal (catuai com 3 anos, espaç. 3,6x 0,5 m) e na linha, mais na rua, verificou-se um grande numero de furos no solo, alguns com terra solta, outros com furos limpos. A principio desconfiou-se da possibilidade de ataque de cigarras, o que é incomum em lavouras novas. Passou-se, então, a cavar o solo, para verificar o que seria encontrado dentro do chão.
O resultado da verificação foi uma boa surpresa positiva. Observou-se, seguindo os furos, que eles terminavam, cerca de 20-30 cm abaixo da superfície, em uma pequena galeria, tipo uma panela de formigueiro. Ali se encontrava uma larva de coleoptero, clara e de tamanho grande, cerca de 3-5 cm de comprimento, tendo 6 patas em sua parte dianteira. Verificou-se, ainda, que na extensão do furo, e, principalmente, na galeria, havia um acumulo de material orgânico, composto de folhas podres de cafeeiro, de mato, e, até, de palha de café que havia sido aplicada recentemente na lavoura. Em uma das galerias, oriunda de um furo pesquisado bem junto ao tronco do cafeeiro, sob a saia, para verificar, nessa condição, se havia algum dano ás raízes do cafeeiro, verificou-se na galeria, a presença de radicelas, que ali se desenvolviam normalmente, até melhor, pois contavam, junto a elas, com material orgânico. Esta observação, combinada com a presença da grande maioria dos furos bem no meio das ruas, longe dos cafeeiros, e a associação com o material orgânico presente nas galerias, foram a chave para constatar que o presumível "ataque" não passava, na realidade, de uma ação benéfica, assim entendida devido ao acumulo de matéria orgânica em profundidade e do efeito de arejamento do solo, pelos buracos. No entanto, como essa ocorrência tem sido observada em muitas lavouras e sabendo-se que alguns insetos não pragas podem se adaptar ao ataque, como parece ter sido o caso da mosca(berne) das raízes, sempre é bom estarmos atentos. A literatura cita que este tipo de larva tem hábito alimentar facultativo, com preferência por matéria orgânica. Na foto pode-se ver as larvas de diferentes espécies, que podem estar ocorrendo, não tendo sido possível, ainda identificar qual delas ocorria na lavoura pesquisada.
Verificou-se que as larvas maiores saiam dos buracos, de noite, provavelmente para se transformar, sendo curioso, que mesmo tendo pernas em sua parte inferior, elas andam de costas.

Figura 1: Aspecto da larva em vista lateral. A) Diloboderus abderus; B) Cyclocephala flavipennis; C) Demodema brevitarsis e D) hyllophaga triticophaga.

 

 

 

 

 

 

Figura 2: Aspecto dos adultos dos besouros. 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 3: Aspecto dos furos no solo. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 4: Larva na galeria, junto com a matéria orgânica. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

J.B. Matiello, Eng. Agr. MAPA/Procafé e Fernando F.Costa, Eng. Agr. SCAI




Atualizado 09/09 às 18:10


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Fonte: Tempo agora      
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